O Banco do Brasil (BB) e o
Banco do Nordeste (BNB) irão disponibilizar mais de R$ 481 milhões para o
Ceará, em linha voltadas para o crédito rural destinadas às safras de 2016 e
2017. O valor é voltado para custeio e investimentos. Ontem, o BB anunciou a
oferta de R$ 166,3 milhões para o setor agropecuário cearense, volume 11,8%
superior ao valor desembolsado na safra 2015/2016. Desse total, R$ 84,1 milhões
serão destinados ao financiamento da agricultura familiar, R$ 29,3 milhões para
Médios Produtores Rurais e R$ 52,9 milhões para os demais produtores e suas
cooperativas rurais.
A
expectativa do BB é aumentar em cerca de 12% o número de beneficiários de
crédito rural no Estado, segundo afirmou o superintendente estadual do Banco do
Brasil, Castro Júnior. "Todos os ramos do agronegócio no País vêm
apresentando crescimento bastante próximos. Mas no Ceará, assim como no Nordeste,
o ritmo de crescimento tem sido superior ao de outros estados. Enquanto temos
um crescimento nacional de 10%, aqui são 11,8%", disse Castro Júnior na
manhã de ontem, durante a apresentação do Plano Safra 2016/2017.
Os
valores anunciados ontem pelo BB se somam aos R$ 315 milhões disponibilizado
pelo BNB para investimentos aos produtores do Estado, referente ao Plano Safra
da Agricultura Familiar 2016/2017, anunciados em maio. De acordo com a
Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) os recursos
deverão beneficiar, sobretudo, setores como a avicultura, pecuária de leite,
fruticultura intensiva irrigada, dentre outros.
Segundo
Castro Júnior, a maior parte dos produtores que buscam crédito rural no Estado
está relacionada ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
(Pronaf). Mas, com relação ao volume de recursos contratados, ele diz que
metade é para a agricultura familiar e metade para médios e grandes produtores.
"No Ceará, nós temos de apoiar a agricultura familiar e os grandes
empresários, com grandes projetos de fornecimento de alimentos para o Brasil e
para o exterior".
Brasil
Ontem,
o BB anunciou que irá destinar R$ 101 bilhões de recursos para a safra
2016/2017. Desse total, R$ 10 bilhões serão direcionados a empresas da cadeia
do agronegócio e R$ 91 bilhões em crédito rural a produtores e cooperativas,
segmento ao qual haverá incremento de 10% em relação ao valor desembolsado na
safra anterior. Do total de recursos para produtores e cooperativas, R$ 71,1 bilhões
se referem a operações de custeio e comercialização e R$ 19,9 bilhões são
específicos para créditos de investimento agropecuário.
Segundo
o presidente do BB, Paulo Cafarelli, o banco é responsável por 61% do crédito
agropecuário no país. Durante o anúncio, ele ressaltou a importância do setor
para a retomada do crescimento econômico.
Demanda
De
acordo com Castro Júnior, a demanda pelas demais linhas de crédito do banco no
Ceará vem crescendo em ritmo superior ao de outros estados. "Enquanto em
2015 o Brasil teve uma involução do PIB, em algumas regiões, do Ceará houve
crescimento. O PIB da região de Juazeiro do Norte, por exemplo, cresceu 5%.
Então, a capacidade de criar chances de ganhar dinheiro no Ceará está muito
presente".
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Recursos são importantes, mas taxa preocupa
Flávio Saboya
Presidente
da Faec
A
oferta desses valores é extremamente importante para o setor. A Federação da
Agricultura agradece publicamente o apoio e o empenho da nossa superintendência
(do Banco do Brasil) pela destinação dessa parcela ao Ceará.
O que
nos preocupa é que o plano agrícola que foi elaborado e apresentado pelo
Governo Federal, ele não teve uma participação da Confederação Nacional da
Agricultura. Isso nunca tinha acontecido. Então nesse ano não tivemos a
possibilidade de dar opiniões ou sugestões. E, apesar do aumento do volume de
recursos destinados aos produtores rurais, outra coisa que nos preocupa são as
taxas de juros, que cresceu em relação ás do ano passado. Para a safra de 2016
e 2017, nós temos alguns fatores importantes, como a renegociação das dívidas
rurais, que permite que os produtores voltem a ter as suas negociações de
financiamento com os bancos. Isso é importante para que essa nova safra tenha
algum êxito. O outro fator é que há a expectativa de que a partir de 2017 as
chuvas voltem à normalidade.
Fonte: Diário do Nordeste