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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Crédito rural no Estado terá aporte de R$ 481 mi

O Banco do Brasil (BB) e o Banco do Nordeste (BNB) irão disponibilizar mais de R$ 481 milhões para o Ceará, em linha voltadas para o crédito rural destinadas às safras de 2016 e 2017. O valor é voltado para custeio e investimentos. Ontem, o BB anunciou a oferta de R$ 166,3 milhões para o setor agropecuário cearense, volume 11,8% superior ao valor desembolsado na safra 2015/2016. Desse total, R$ 84,1 milhões serão destinados ao financiamento da agricultura familiar, R$ 29,3 milhões para Médios Produtores Rurais e R$ 52,9 milhões para os demais produtores e suas cooperativas rurais.
A expectativa do BB é aumentar em cerca de 12% o número de beneficiários de crédito rural no Estado, segundo afirmou o superintendente estadual do Banco do Brasil, Castro Júnior. "Todos os ramos do agronegócio no País vêm apresentando crescimento bastante próximos. Mas no Ceará, assim como no Nordeste, o ritmo de crescimento tem sido superior ao de outros estados. Enquanto temos um crescimento nacional de 10%, aqui são 11,8%", disse Castro Júnior na manhã de ontem, durante a apresentação do Plano Safra 2016/2017.
Os valores anunciados ontem pelo BB se somam aos R$ 315 milhões disponibilizado pelo BNB para investimentos aos produtores do Estado, referente ao Plano Safra da Agricultura Familiar 2016/2017, anunciados em maio. De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) os recursos deverão beneficiar, sobretudo, setores como a avicultura, pecuária de leite, fruticultura intensiva irrigada, dentre outros.
Segundo Castro Júnior, a maior parte dos produtores que buscam crédito rural no Estado está relacionada ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Mas, com relação ao volume de recursos contratados, ele diz que metade é para a agricultura familiar e metade para médios e grandes produtores. "No Ceará, nós temos de apoiar a agricultura familiar e os grandes empresários, com grandes projetos de fornecimento de alimentos para o Brasil e para o exterior".
Brasil
Ontem, o BB anunciou que irá destinar R$ 101 bilhões de recursos para a safra 2016/2017. Desse total, R$ 10 bilhões serão direcionados a empresas da cadeia do agronegócio e R$ 91 bilhões em crédito rural a produtores e cooperativas, segmento ao qual haverá incremento de 10% em relação ao valor desembolsado na safra anterior. Do total de recursos para produtores e cooperativas, R$ 71,1 bilhões se referem a operações de custeio e comercialização e R$ 19,9 bilhões são específicos para créditos de investimento agropecuário.
Segundo o presidente do BB, Paulo Cafarelli, o banco é responsável por 61% do crédito agropecuário no país. Durante o anúncio, ele ressaltou a importância do setor para a retomada do crescimento econômico.
Demanda
De acordo com Castro Júnior, a demanda pelas demais linhas de crédito do banco no Ceará vem crescendo em ritmo superior ao de outros estados. "Enquanto em 2015 o Brasil teve uma involução do PIB, em algumas regiões, do Ceará houve crescimento. O PIB da região de Juazeiro do Norte, por exemplo, cresceu 5%. Então, a capacidade de criar chances de ganhar dinheiro no Ceará está muito presente".
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Recursos são importantes, mas taxa preocupa
Flávio Saboya
Presidente da Faec
A oferta desses valores é extremamente importante para o setor. A Federação da Agricultura agradece publicamente o apoio e o empenho da nossa superintendência (do Banco do Brasil) pela destinação dessa parcela ao Ceará.

O que nos preocupa é que o plano agrícola que foi elaborado e apresentado pelo Governo Federal, ele não teve uma participação da Confederação Nacional da Agricultura. Isso nunca tinha acontecido. Então nesse ano não tivemos a possibilidade de dar opiniões ou sugestões. E, apesar do aumento do volume de recursos destinados aos produtores rurais, outra coisa que nos preocupa são as taxas de juros, que cresceu em relação ás do ano passado. Para a safra de 2016 e 2017, nós temos alguns fatores importantes, como a renegociação das dívidas rurais, que permite que os produtores voltem a ter as suas negociações de financiamento com os bancos. Isso é importante para que essa nova safra tenha algum êxito. O outro fator é que há a expectativa de que a partir de 2017 as chuvas voltem à normalidade.
Fonte: Diário do Nordeste