O esforço coletivo de devotos desta cidade, no Sertão Central, dá destaque à celebração do Corpo e Sangue de Cristo, o Corpus Christi. A festa religiosa tem por base o mistério da Eucaristia, que, segundo os católicos é o próprio corpo de Cristo. A fé impulsiona um grupo de voluntários a confeccionar de modo artesanal o maior tapete do Ceará para passagem da procissão. No início da noite desta quinta-feira, o pároco Ernandir Ferreira, da Paróquia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, após celebrar missa solene, na Igreja Matriz, deu início à caminhada, conduzindo o ostensório e milhares de fiéis seguiram os seus passos em procissão de fé, animada por cânticos.
O percurso de quase um quilômetro é feito ao lado do tapete ornamental, com símbolos católicos e imagens sacras. Neste ano, foram mais de 220 peças confeccionadas em tecidos, com pó de serragem, casca de ovo, tintas e outros apetrechos. O trabalho voluntário é feito com um mês de antecedência e mobiliza pelo menos uma centena de católicos, a maioria jovens, moradores de comunidades rurais e da área urbana, de escolas, capelas e de grupos pastorais.
A procissão seguiu até a Igreja velha, no centro, onde foi dada a bênção do Santíssimo Sacramento. É o momento alto da celebração, que envolve a fé dos católicos na presença do corpo de Cristo, na hóstia consagrada (Jesus Eucarístico). A instituição da Eucaristia ocorre na Quinta-Feira da Semana Santa, mas por ser um período de intensa programação, a Igreja Católica resolveu transferir as celebrações do mistério ou dogma de fé da presença do corpo e sangue de Jesus Cristo para uma data própria, denominada "Corpus Christi".
O padre Ernandir Ferreira observou que a presença de Jesus na hóstia é um alimento espiritual para aquele que crê, mas que deve ter como consequência o serviço ao próximo: a fraternidade. "Não adianta comungar, receber Jesus, e dar as costas para o próximo, para os seus problemas, pois se assim agir o cristão católico, não tem sentido".
O grupo de voluntários começou a montar o extenso tapete na noite desta quarta-feira, mas uma chuva fina ameaçou desmanchar as peças. O trabalho foi suspenso e recomeçou por volta das 4h e se extendeu até 10h de ontem. No ano passado, a chuva destruiu todo o trabalho. "Pensei que iria acontecer o mesmo. As pessoas fazem com tanto carinho e dedicação", disse a moradora Francisca Alves.
A fé manteve-se fortalecida e neste ano o tapete ganhou mais alguns metros e a novidade foi a confecção em peças de tecido para evitar que a chuva estragasse todo o trabalho. Há nove anos que um grupo de voluntários começou a confeccionar o tapete para a procissão de Corpus Christi, por incentivo do então pároco, João Teixeira.
Os católicos participaram da festa que é celebrada em todas as paróquias num clima de alegria e de emoção. "Essa é a nossa fé e a nossa motivação", disse a professora Sheila Queiroz, uma das idealizadoras do tapete decorativo.
