O anuncio de apoio ao candidato do governador Cid Gomes (PROS) num
ambiente de incertezas, onde o PMDB ameaça até unir-se aos tucanos
cearenses para encarar a disputa ao Abolição, mostra que o partido não
compartilha da tese de que a presidente Dilma esteja virtualmente
reeleita. Dá sinal de que montar bons palanques regionais é fundamental
para emplacar o projeto nacional.
No tabuleiro político, o deputado federal José Guimarães (PT) e o
governador Cid estão juntos na empreitada para reeleger a petista. Na
outra ponta do cabo de guerra, Luizianne Lins (PT) e o senador Eunício
Oliveira (PMDB) trabalham para descentralizar a eleição estadual e
concorrerem, eles mesmo, ao Palácio da Abolição com o apoio de Lula e
Dilma.
As declarações de José Guimarães soaram, inclusive, indigestas para o
líder do PMDB, que retrucou: “O PT não precisa do PMDB na eleição. Tudo
bem. Tem tanta gente querendo o PMDB”.
Na noite de ontem (17), o senador Eunício Oliveira e a presidente
Dilma Rousseff participaram do jantar promovido pelo vice-presidente
Michel Temer (PMDB) para o diretório paulista do partido, no Palácio do
Jaburu. Na bagagem, o cearense levou a posição do PT e um apanhado das
declarações de Guimarães para apresentar a Dilma. No entanto, segundo
uma fonte do Planalto, os dois não teriam tido tempo de discutir o
cenário eleitoral.
“Será que Guimarães sabe que o PMDB cearense tem 61 votos na
Convenção Nacional (do partido) e que esses votos podem inviabilizar a
coligação nacional? Somados aos votos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais
e de Pernambuco podem colocar o PMDB nos braços do Eduardo Campos (PSB)
ou do Aécio Neves (PSDB)”, dispara.
Na última semana, o senador cearense foi procurado pelo
presidenciável tucano, que tenta lhe convencer a encarar a disputa numa
dobradinha competitiva com Tasso Jereissati (PSDB) ao Senado. Já Eduardo
Campos está oferecendo apoio do PSB à candidatura de Eunício ao governo
do Ceará com promessa de apoio a reeleição do senador Inácio Arruda
(PCdoB).
