terça-feira, 30 de maio de 2017

Brigas entre facções é causa de pico nos crimes

As brigas entre facções por áreas de atuação no tráfico de drogas são a principal causa das mortes ocorridas no Ceará, em 2017, conforme um servidor da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que conversou com a reportagem. O policial explica que os rearranjos nas alianças entre as organizações criminosas causaram esse pico no número de homicídios. Segundo ele, dificilmente será dada uma resposta adequada aos assassinatos, diante da alta demanda para o efetivo restrito da Polícia Civil do Estado.

"Estão acontecendo várias brigas e eles estão medindo forças. Antes, a maioria das ocorrências tinha só uma vítima, agora são duas, três para mostrar poder, impiedade. Quanto mais eles mostram poder, mais áreas conseguem e mais valorizado é o produto que vendem", explicou.
O policial explica que o desentendimento entre os antigos aliados Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE) é responsável por muitos dos homicídios ocorridos no Ceará. "A GDE é bem menor que o CV e eles estão passando por cima mesmo. Em muitos locais o nome GDE está sendo riscado e estão cobrindo com o CV. O Autran Nunes é um exemplo. O CV tem uma cúpula nacional, dá ordens para os criminosos locais conseguirem mais espaço e fornecem armas para isso".
A demanda crescente de crimes para Polícia Civil investigar está se transformando em um gargalo cada vez maior, conforme o servidor da SSPDS. "O índice de resolução de crimes não aumentou. Isso é uma falácia. Atribuir a facções ou brigas de gangues um crime, não é apontar o autor. GDE, PCC, CV e FDN não são pessoas. Briga de facção tem o envolvimento de pessoas que puxam gatilhos e essas pessoas precisam ser presas. O problema é que a Polícia Civil não tem efetivo para elucidar esses crimes e se investe muito pouco em inspetores e escrivães. A grande maioria dos homicídios ocorridos este ano está sem resposta e, provavelmente, permanecerá assim", afirmou.
Fonte: Diário do Nordeste