Nenhuma das fabricantes de vacinas contra a Covid-19 aprovadas no Brasil pretende negociar a venda do produto para o setor privado. As farmacêuticas Pfizer, Janssen, AstraZeneca, Fiocruz e o Instituto Butantan afirmaram, nesta quarta-feira (7), que priorizam o fornecimento de imunizantes para o SUS (Sistema Único de Saúde).
Na noite da última terça-feira (6), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base de um projeto de lei que permite que a iniciativa privada compre vacinas e comece a imunização de seus funcionários antes do fim dos grupos prioritários definidos pelo SUS.
A proposta, que prevê a aquisição até de vacinas que não tenham aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ainda precisa passar pelo Senado e pela sanção presidencial.
As repostas foram enviadas pelas farmacêtucias, por nota, ao jornal o Estadão, e confirmadas pela reportagem do Yahoo! Notícias. Confira a seguir:
Vacina da Janssen
A nota da Janssen, da Johnson & Johnson, informa que a empresa tem acordo de compra antecipada com o Ministério da Saúde.
“Neste momento, o fornecimento será exclusivo para o governo federal, por meio do Programa Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19”
A empresa ainda destacou que não autoriza nenhuma pessoa física ou empresa a negociar em nome da Janssen com qualquer ente público ou privado.
Vacina da Pfizer
A Pfizer e a sua parceira BioNTech afirmaram entender que o imunizante contra a Covid-19 deve ser fornecido à população em geral.
“Estamos compremetidas a trabalhar em colaboração com os governos em todo o mundo para que a vacina seja uma opção na luta contra a pandemia, como parte dos programas nacionais de imunização”
Além disso, a empresa completou dizendo que "neste momento não temos como dar andamento a uma negociação de fornecimento para empresas privadas".
Vacina da AstraZeneca
A farmacêutica britânica AstraZeneca diz que tem trabalhado "incansavelmente" para cumprir o "compromisso de acesso amplo e equitativo no fornecimento da vacina para o maior número possível de países".
"Todas as doses da vacina estão disponíveis por meio de acordos firmados com governos e organizações multilaterais ao redor do mundo, incluindo da Covax Facility, não sendo possível disponibilizar vacinas para o mercado privado ou para governos municipais e estaduais no Brasil".
O Covax Facillity é um consórcio de compra de imunizantes para países em desenvolvimento liderado pela (OMS) Organização Mundial da Saúde, no qual o Brasil faz parte.
Na semana passada, o diretor da OMS, Tedros Adhanom, declarou em reunião com parlamentares que não há como definir prazo para as 8 milhões de vacinas da Covax Facility chegarem ao Brasil. Previstas para maio, as doses do consórcio global devem atrasar por causa de problemas na produção da Índia e na Coreia do Sul.
Vacina da Oxford/AstraZeneca - Fiocruz
A Fiocruz, responsável por produzir a vacina Oxford/AstraZeneca no Brasil, ainda diz que toda a produção própria é destinada exclusivamente ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.
Vacina CoronaVac - Instituto Butantan
O Instituto Butantan também diz que “trabalha para atender à demanda da rede pública de saúde”. O órgão paulista prevê entregar 100 milhões de doses da Coronavac até o fim de agosto.
No Brasil, a maioria das doses aplicadas foram do imunizante, feito em parceria entre o Butantan e a chinesa Sinovac, sendo responsável pela vacinação de mais de 80% dos brasileiros que foram imunizados até o fim de março.
Vacinas que ainda não estão liberadas
A União Química, responsável pela produção da russa Sputnik V no Brasil, disse que o “atendimento ao setor privado depende da legislação, que está em discussão no Congresso neste momento, e da regulamentação da Anvisa e das autoridades sanitárias”.
"Nós temos compromisso de atender às demandas do setor público e estamos concentrados nisso".
A reportagem questionou a Precisa Medicamentos, que representa o imunizante Covaxin, da indiana Barath Biontech, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.
Fonte: Yahoo Notícias
