sábado, 18 de agosto de 2018

Vice toma posse, e oposição de Quixadá celebra

Pouco mais de 24h após o desembargador Francisco Lincon Araújo e Silva, do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) ter determinado o afastamento do prefeito de Quixadá, Ilário Marques (PT) das suas funções, pelo período de 180 dias, o vice-prefeito, João Paulo Menezes Furtado (Patriota), foi empossado prefeito interino deste Município do Sertão Central, a 160Km de Fortaleza.

A sessão extraordinária de posse foi realizada durante a tarde desta sexta-feira (17), na Câmara Municipal. O clima foi de festa, para os opositores de Ilário Marques.

A cerimônia foi breve. O prefeito interino havia retornado para Quixadá na noite da quinta-feira (16). Ele estava em Fortaleza, onde, naquele dia, protocolou sua candidatura a deputado estadual. Apesar da surpresa, desistiu da disputa eleitoral para assumir a Prefeitura de Quixadá. A decisão foi apoiada pelo deputado federal Odorico Monteiro, presidente do PSB no Ceará; e pelo deputado estadual Bruno Gonçalves, do Patriota. Eles participaram da solenidade, discursaram e demonstraram apoio ao novo titular do Poder Executivo do Município.

Os discursos mais inflamados, apesar do curto tempo, cerca de três minutos cada, primeira solicitação de João Paulo à Câmara, foram dos vereadores Louro da Juatama e Raimundo Damasceno, presidente PSB este último alertando o gestor empossado a não confiar em ninguém, pois a sua administração corre o risco de ser boicotada.

Damasceno ainda registrou ter alertado Ilário Marques, na tribuna da Câmara, para respeitar a Justiça. Finalizou reclamando da postura do adversário, ao se referir à oposição como "canalha". Dentre os representantes da Casa Legislativa, apenas o presidente, vereador Ivan Benício de Sá, o "Ivan Construção", aliado de Ilário Marques, não compareceu à sessão especial. Ele foi substituído pelo vice, Darlan Lopes da Silva, conhecido como Darlan Piaba.

'Fiel da Balança'

Ilário Marques teve a sua gestão interrompida na Operação "Fiel da Balança", coordenada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). A Polícia Civil cumpriu Mandados de Busca e Apreensão, em conjunto com a Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública (Procap), com auxílio do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e promotorias de Quixadá. As investigações do MPCE apuram denúncias de desvio de dinheiro público no serviço de coleta de lixo da Cidade.

Essa foi a segunda situação enfrentada pelo Município com o afastamento de prefeito. A outra ocorreu em há dois anos, no dia 12 de agosto, quando o então vice-prefeito, Antônio Welinton Xavier Queiroz, conhecido como "Ci", foi empossado no cargo pelo período de 120 dias, em razão de o prefeito à época, João Hudson Rodrigues, o "João da Sapataria", ter sido afastado, também por determinação da Justiça, entendendo ter ele praticado ato de improbidade administrativa ao atrasar, desde setembro de 2015, os salários dos servidores.

Segredo de Justiça

Apesar de as investigações correrem em segredo de Justiça, em resposta às acusações de Ilário Marques, o empresário Ernani Teles, proprietário da empresa DFL Serviços de Limpeza Urbana Ambiental, informou ter fechado o lixão de Quixadá, construído a estação de transbordo, um muro de 120m e recuperado um galpão da antiga usina de triagem, com recurso próprio.

Entretanto, segundo o empresário, o prefeito só honrou o pagamento do primeiro mês do contrato, R$ 80 mil. Nos dois meses seguintes pagou R$ 60 mil e no quarto mês só pagou a metade do contrato, descumprindo o acordo, obrigando a DFL a paralisar seus serviços de transporte e recebimento do lixo da cidade de Quixadá.

Disse ainda ter sofrido vários tipos de ameaça e coação por parte do prefeito e dos secretários que foram afastados, desde o primeiro mês. "Fui coagido a emitir manifestos de volumes e quantidade de lixo maiores que o real para justificar o pagamento de valores absurdos sobre a coleta de lixo no Município para favorecimento do prefeito. Em Janeiro, me exigiram também fazer um contrato retroativo a novembro de sessão de doação de hora/máquina e caçambas com intuito de justificar licitação para a compra de combustível além do real consumido pelos meus equipamentos. Tudo o que afirmo tenho provas e documentos que já estão de posse do Ministério Público", completou.

Fonte: Diário do Nordeste