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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

LONDRINA É CAMPEÃO DA PRIMEIRA LIGA

Chegou ao fim a segunda edição da Copa da Primeira Liga. Em uma final tecnicamente fraca, sem gols e que teve sua dose de emoção só porque foi definida nos pênaltis, o Londrina bateu o Atlético-MG e levantou a taça mais desprestigiada do futebol brasileiro na atualidade.
Sim, obviamente a decisão tinha grande importância para o time paranaense, que vem fazendo uma Série B razoável e conquistou mais holofote e dinheiro na Primeira Liga ao eliminar clubes maiores pelo caminho. A torcida sentiu isso e foi em bom número ao Estádio do Café, onde se viu uma bonita festa. Ao Galo, sobrava a obrigação de conquistar o título e usar a partida para dar sequência ao início de trabalho do recém-chegado Oswaldo de Oliveira.
A Primeira Liga surgiu para ir muito além de um torneio e ser, de fato, um movimento de confronto com federações e CBF. Os clubes buscam retornos financeiros melhores, principalmente em relação aos estaduais, que, para muitos, se tornaram um fardo no calendário e nos cofres. Na prática, a Liga ruiu já no primeiro ano, com a disputa pela liderança do grupo. E tudo caiu por terra após a entrada da Globo nas transmissões, que derrubou uma das principais bandeiras: a divisão igual das cotas de TV. Os times foram divididos em categorias, em um modelo muito próximo ao já adotado para o Campeonato Brasileiro, e houve uma debandada de times importantes e reposições às pressas.
A edição deste ano começou em janeiro e teve uma tabela completamente aleatória. Com o início da Copa Libertadores e, mais tarde, do Brasileirão, times como Grêmio e Flamengo levavam a campo times alternativos, deixando claro o nível de prioridade. A fase de grupos terminou em abril, com a definição dois oitos classificados para as quartas de final. A fase mata-mata começou em… agosto! Uma bizarrice sem tamanho.
Para 2018, a Primeira Liga busca uma brecha durante a Copa do Mundo para continuar existindo. Imagine só um campeonato completamente camuflado correndo em paralelo à maior competição do mundo. A tendência é que o torneio acabe morrendo por inanição e desinteresse geral dos clubes maiores. Ainda que consiga sobreviver em meio ao já caótico calendário nacional, precisará retomar seu projeto inicial para fazer frente à CBF e ter de volta clubes expressivos que valorizem o produto.
Ao ser entrevistado no gramado, Claudio Aparecido Tencati, técnico do Londrina, foi cirúrgico: “Merecemos o título porque o fomos um dos poucos que levaram a sério o campeonato. Afinal, a Primeira Liga é uma oportunidade para os pequenos”. Se a Primeira Liga morrer, ninguém sentirá sua falta. A revolução prometida não fez nem cócegas.
Fonte: LanceNet