terça-feira, 18 de abril de 2017

Jovem que nasceu sem ânus fica 4 meses sem glicerina para limpar intestino

Uma família de Planaltina de Goiás (a 223 km de Goiânia) vive um drama há 18 anos. Tudo começou quando a dona de casa Aldenira Pereira de Sousa, 46, deu à luz a Giovane. Logo no hospital, os médicos constataram que a criança havia nascido sem o canal do ânus. O menino até fez uma cirurgia para reverter o caso, porém sem sucesso. Para sobreviver, ele precisa utilizar glicerina – remédio que auxilia na limpeza do intestino pela sonda. Mas, a medicação, está em falta há pelo menos quatro meses na prefeitura da cidade.

Giovane Sousa chega a usar duas caixas de glicerina por mês em uma sonda que sai por seu umbigo. Cada uma custa R$ 25. Desempregada, a mãe conta que não tem como arcar com as despesas dos medicamentos. Aldenira e os três filhos vivem de um salário mínimo do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) pela gravidade do caso de Giovane e doações.
"Tem hora que eu falo: Meu Deus, por que eu? Entro em desespero. Não tenho pra onde correr, não tenho como pedir ajuda. Quem me ajuda é Deus. A glicerina é a vida do meu filho. Sem ela, as fezes ficam acumuladas. O remédio serve para limpar o intestino dele."
A pessoa que fica mais de 15 dias sem evacuar pode ter uma obstrução intestinal e as bactérias podem passar para o sangue", explica a médica Edione Magna Neri.
A cirurgiã pediátrica do Hospital Daher, Edione Magna Neri, explica que um procedimento cirúrgico é o único tratamento efetivo para a doença rara. A doença, segundo a especialista, faz parte de uma classe de más formações congênitas. 
"A incidência é de um caso para cada cinco mil crianças nascidas vivas. O índice de sucesso da cirurgia está diretamente relacionado ao paciente. Crianças com melhor musculatura perineal vão ter sempre melhor resposta cirúrgica. No caso do Giovane, a glicerina é responsável e indispensável pelo amolecimento das fezes, facilitando a evacuação."

Glicerina reposta

Em nota, a prefeitura de Planaltina de Goiás admitiu que a medicação estava em falta na Secretaria de Saúde. Porém, garantiu que a glicerina já foi reposta nos estoques das farmácias públicas nesta semana, e que entrará em contato com a família. Apesar da informação, dona Aldenira diz que ainda não conseguiu pegar os remédios.
"Toda vez que vou até a farmácia, os funcionários dizem que a Secretaria de Saúde ainda não entregou a glicerina. Por conta da falta do remédio, tenho que dar comida só uma vez para o meu filho. Assim, consigo evitar que ele passe mal e a sonda não saia. Só Deus para fazer um milagre na nossa família", diz emocionada a dona de casa.
Fonte: Uol Notícias