sexta-feira, 24 de março de 2017

Município de Catarina enfrenta epidemia de chikungunya

Um mesmo assunto tem preocupado os moradores de Catarina, a 398 quilômetros de Fortaleza. Os crescentes casos com sintomas de arboviroses têm superlotado o hospital municipal Dr. Gentil Domingues. Localizada no Sertão dos Inhamuns, a Cidade teve 69 casos confirmados de chikungunya até agora em 2017. No ano passado, a mesma doença foi confirmada apenas em três pacientes. Apesar de relatos da população, a Prefeitura descarta que óbitos recentes estejam relacionados às arboviroses.

No Centro, há ruas em que todas as casas tiveram algum caso de dengue ou chikungunya, relata a professora Vanusa Martins, 43. Neste ano, ela já teve as duas doenças e a zika, tendo buscado tratamento em Fortaleza. Na escola, ela vê alunos e professores que faltam, acometidos pelas doenças. A irmã dela, Valdelice Martins, tinha 84 anos e faleceu em visita a Catarina nos festejos de São José, no último fim de semana. O caso é comentado entre os moradores como tendo relação com a epidemia na Cidade.

Vanusa conta que a irmã foi atendida no hospital municipal com diarreia, inchaço nas mãos e nos pés e cansaço. Um quadro impreciso e que não rendeu diagnóstico. Já transferida para Iguatu, Valdelice morreu após parada cardíaca. “Ela já tinha problema de coração, então não dá pra saber se foi isso ou se teria relação com dengue ou chikungunya”, conta a irmã. A certeza não virá, pois a família optou por não submeter o corpo de Valdelice a exames periciais antes do enterro. O procedimento é obrigatório apenas em mortes violentas.

Óbitos

Dentre os óbitos recentes da Cidade ou a caminho de Iguatu, não há confirmação de dengue ou chikungunya, afirma Aglayrton Guedes, coordenador municipal do Controle de Endemias. Ele informa que, apesar das suspeitas ou relatos dos moradores, não houve laudos médicos ou periciais que confirmassem algum caso em 2017. Para Aglayrton, a situação do Município é preocupante e está sendo enfrentada com ações de combate ao mosquito Aedes aegypti e conscientização das pessoas. Os esforços do Município são válidos, porém insuficientes, opina o radialista Airton Ferreira. Dos relatos que recolhe em programa de rádio e nas idas ao hospital para levar a filha, que teve dengue, ele cita a superlotação da unidade, com pacientes atendidos em corredores. Ainda segundo ele, a situação é agravada por haver apenas um médico para dar conta de emergências, consultas, internações e transferências de casos de dengue hemorrágica para Iguatu e Barbalha.

O movimento no hospital começou a diminuir na última semana, avalia Jardel Mendonça, diretor da unidade. A média de 200 pacientes por dia reduziu para cerca de 100, estima. Desde terça-feira, 21, a unidade conta com dois médicos para os plantões das segundas, terças e quintas-feiras, explica Mendonça. Com contratação autorizada pela Prefeitura, a tentativa é de encontrar outro médico que integre os demais dias da semana. 

Fonte: O Povo