O verão de 2017 deve ser de chuvas abaixo da média histórica na Região
Nordeste, principalmente no Semiárido nordestino, onde o Ceará está
situado, conforme levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe) no último dia 19. A previsão climática
sazonal por consenso para o trimestre janeiro a março de 2017 (JFM/2017)
indica que há probabilidade de chuvas 20% acima, 35% dentro e 45%
abaixo da faixa normal climatológica.
A redução de precipitações seria ocasionada pelo aquecimento das águas
do oceano Atlântico Tropical Norte, que pode afetar negativamente as
chuvas no Nordeste, e pela ausência de episódios bem configurados de
Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), típica dessa época do ano.
O estudo também aponta que as temperaturas devem ficar acima da média
para a Região, durante o mesmo período.
A previsão foi elaborada em reunião realizada no Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), no último dia 16 de dezembro, em
Cachoeira Paulista (SP), com participação de pesquisadores e
tecnologistas de diversos institutos vinculados ao Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação. A medição por consenso é baseada na
análise das condições diagnósticas oceânicas e atmosféricas globais e de
modelos dinâmicos fornecidos pelas entidades.
A climatologista do Cptec, Renata Tedeschi, explica que as porcentagens
não são fixas. "Elas são uma maneira de indicar qual é o sinal mais
provável de ocorrer. Nós continuaremos monitorando o Pacífico, que muda
de temperatura mais lentamente, e o Atlântico, que muda mais rápido. No
próximo mês, pode haver alguma alteração que mude essas estimativas".
O meteorologista Celso Oliveira, da empresa paulista Somar
Meteorologia, aposta num cenário não tão duro como sugere a pesquisa,
indicando um janeiro de chuvas esparsas e maior concentração de
precipitações em fevereiro e março. Segundo Celso, apesar de o fenômeno
El Niño ter castigado o Nordeste nos últimos dois anos, trazendo
períodos mais secos, as simulações feitas para o primeiro trimestre de
2017 apontam para um verão mais úmido na Região.
"Algumas áreas devem ter chuvas acima da média, principalmente no
litoral, de Pernambuco até o Maranhão. No Interior do Ceará, as chuvas
devem seguir mais próximas da normalidade, mesmo que elas não sejam
distribuídas homogeneamente", comenta o especialista. Conforme Celso, o
oceano Pacífico passa por um resfriamento das águas, característico do
La Niña, que influenciará positivamente parte do verão.
Segundo prognóstico da Somar, o La Niña vem enfraquecendo, mas o último
boletim da NOAA (órgão americano oficial de meteorologia e
oceanografia), a atmosfera ainda é influenciada pelo resfriamento das
águas do Pacífico. A previsão aponta que a ausência do intenso El Niño
deve trazer menos calor nos próximos três meses.
Regressão
Alexandre Nascimento, meteorologista da empresa Climatempo, concorda
que, neste verão, as chuvas devem aumentar nas áreas mais críticas do
Nordeste, da Bahia ao extremo-norte da região. No Ceará, as
precipitações acima da média devem se concentrar nos meses de janeiro e
fevereiro. Em março, o cenário deve regredir e as chuvas devem se
deslocar para centro-sul da região. Para o primeiro trimestre, o
especialista também aponta temperaturas na faixa de normal a acima da
média.
"Acho que não é um sexto ano ruim (de seca), mas um ano não vai
conseguir apagar todo o efeito negativo dos últimos cinco. De qualquer
forma, saímos dessa condição extremamente seca desses últimos anos, e a
expectativa é muito boa, com a recuperação de pelo menos uns 45% do
reservatório Castanhão".
Fonte: Ceará News 7