O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento à Polícia Federal (PF) ontem, em Brasília, em um inquérito referente à Operação Zelotes. A PF investiga suspeitas de pagamento de propina para aprovação de três medidas provisórias que concediam benefícios fiscais ao setor automotivo, duas delas durante o governo Lula (2003-2010).
Segundo a assessoria de imprensa do ex-presidente, ele prestou informações ao delegado Marlon Cajado "colaborando, como sempre faz, para esclarecer a verdade". Lula foi prestar informações à PF, sem que o depoimento fosse colhido como testemunha ou investigado.
A empresa LFT Marketing, que pertence a Luís Cláudio Lula da Silva, filho de Lula, recebeu R$ 2,4 milhões do escritório Marcondes e Mautoni, que, na mesma época, teve repasses do setor automotivo.
O depoimento estava previsto para acontecer no fim de dezembro, mas a defesa de Lula pediu o adiamento para janeiro, período de recesso parlamentar em Brasília. Deflagrada em março de 2015, a Zelotes investiga um dos maiores esquemas de sonegação fiscal já descobertos no país. Suspeita-se que quadrilhas atuavam junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda, revertendo ou anulando multas.
A operação também foca lobbies envolvendo grandes empresas. O esquema fez com que uma CPI fosse instalada no Senado.
Reunião com Dilma
Já em reunião realizada na noite de terça (5), Lula aconselhou a presidente Dilma Rousseff a aproveitar o recesso do Legislativo para "vender o peixe" do governo, divulgar medidas de estímulo à economia e recuperar protagonismo político. Para ele, o impeachment "está morto, mas não enterrado". Ele pediu que Planalto e PT diminuam rusgas e evitem enfrentamento.
