O pernambucano Alciones Severino Cabral, 47 anos, que hoje mora em Santo André, no ABC Paulista, carrega o que existe de mais avançado na cardiologia atualmente: um coração artificial. Ele perdeu metade das funções do órgão após um infarto em 2002, que ocorreu devido aos muitos maços de cigarro que fumava.
Mas Alciones não ganhou o coração artificial naquela época, foi só depois de 11 anos. O homem viajou para Pernambuco em 2013 e voltou a passar mal. “No terceiro dia que cheguei a Pernambuco, comecei a sentir que algo estava errado, que eu não estava bem. Voltei para São Paulo e o coração inchou de vez”, disse o pernambucano em entrevista à Rádio Bandeirantes.
A solução para o problema de Alciones era um transplante de coração, mas a espera seria longa e os problemas cardíacos aumentavam, por isso, era preciso realizar um procedimento rápido.
Os médicos que o atendiam, no Hospital Santa Helena na zona leste, indicaram-no para um projeto do Hospital Sírio-Libanês que implantaria o coração artificial, um aparelho chamado HeartMate II. Alciones recebeu o aparelho em fevereiro.
O dispositivo tem uma turbina que gira até mil rotações por minuto e bombeia o sangue de forma contínua, ou seja, o aparelho não precisa bater, por isso, o paciente que o utiliza não tem pulso.
Parte do aparelho fica fora do corpo, peça que Alciones carrega em uma bolsa. Ele tem até um lugar impermeável para guardá-la, próprio para quando toma banho. O pernambucano contou que também tem dificuldade para entrar nos bancos. “Há gerentes que vêm falar comigo, mas estou feliz demais”, afirmou. O principal cuidado é com as baterias, porém elas duram horas e o paciente tem várias delas.
O diretor do Instituto do Coração e chefe do Setor de Cardiologia do Sírio-Libanês, Roberto Caio Filho, declarou que a sobrevida do paciente que usa o coração artificial é grande. “Esses chamados suportes mecânicos aumentam a chance do paciente em esperar o doador, mas o paciente pode ficar meses [com o coração artificial], até anos”, concluiu.
Alciones contou que o perguntaram se ele aceitará um coração real, se aparecer. O pernambucano elogiou seu aparelho, no entanto, afirmou que “nada é melhor do que você ter liberdade”.
O tão esperado transplante de Alciones deve ocorrer no começo de 2016.
