Mais de 680 mil de brasileiros indignados pelo megaescândalo de corrupção na Petrobras saíram às ruas neste domingo (12) em 24 estados e no Distrito Federal protestar contra o governo de Dilma Rousseff, embora o movimento não tenha superado em volume o do mês passado.
Ao menos 682 mil pessoas se manifestaram em mais de 170 cidades do país, segundo a polícia, enquanto que os organizadores calcularam os manifestantes em mais de um milhão. São Paulo teve o maior ato do país, repetindo o que aconteceu em 15 de março.
Na manifestação deste domingo na capital paulista, a polícia calcula que havia 275 mil nas ruas. Os organizadores não forneceram números, mas falam informalmente de 600 mil a 1,2 milhão de manifestantes.
No mês passado, a polícia calculou, em todo país, mais de 1,5 milhão de manifestantes (sendo um milhão em São Paulo), uma cifra bem superior a deste domingo.
"Queremos abrir espaço à indignação do povo brasileiro (...) Nosso foco é que Dilma deixe o poder através de um processo dentro da lei. Pode ser sua renúncia ou um impeachment, mas que saia. Foi eleita em outubro, mas agora o povo quer sua saída", declarou à AFP Janaina Lima, 30 anos, porta-voz do movimento Vem Pra Rua, falando do alto de um caminhão de som que avançava pela Avenida Paulista.
Em Brasília, cerca de 25 mil manifestantes marcharam em um clima festivo e familiar, em meio a vendedores ambulantes de bandeiras e comida. A multidão é praticamente a metade da passeata anterior, segundo informou à AFP a Polícia Militar, apesar de os organizadores assegurarem a presença de 50 mil pessoas.
No Rio de Janeiro, onde mais de 15 mil pessoas saíram às ruas há quase um mês, a multidão parecia menor. A polícia do Rio e os organizadores evitaram arriscar uma cifra, mas estima-se um número de 10 mil pessoas.
Indignação
"Viemos por tudo o que está acontecendo no Brasil e por este governo que não está fazendo nada. O povo tem que mostrar persistência e manifestar sua indignação e sua insatisfação", declarou à AFP uma manifestante brasiliense, Dianira Loubet, instrutora de ioga de 75 anos.
Como no protesto anterior, a maioria veste a camiseta amarela da seleção brasileira e reclama o 'impeachment' da presidente, que começou seu segundo mandato há pouco mais de três meses.
Uma pesquisa do Datafolha mostrou no sábado que 63% dos mais de 2.8000 consultados apoiam a abertura de um julgamento político da presidente em função do caso Petrobras, apesar de também uma maioria (64%) achar que, ainda nesse caso, Dilma não será afastada do poder.
"Fora Dilma", "Fora PT", "A culpa é das estrelas" e "Governo de corruptos" são alguns dos cartazes exibidos. Um pequeno grupo exige uma intervenção militar, como aconteceu em 15 de março.
O carioca Thomaz Albuquerque, de 38 anos, disse haver razões políticas e legais para pedir o impeachment de Dilma, apesar de especialistas dizerem o contrário.
"Ela era presidente do conselho de administração da Petrobras durante a pior etapa do 'Petrolão'. Só isso já é suficiente", declarou.
Contendo a hemorragia
Oito em cada 10 brasileiros acreditam que Dilma estava a par da corrupção dentro da Petrobras, segundo o instituto de pesquisas Datafolha, apesar de a presidente negar com veemência.
"O que queremos é que todo o Brasil saia às ruas. Não estamos aqui para quebrar recordes", afirmou Rizzia Arreiro, de 35 anos, integrante do movimento "Vem Pra Rua", um dos grupos que convocaram a manifestação.
"O principal objetivo é conseguir a destituição de Dilma, ou sua renúncia", afirmou o analista político Fabio Ostermann, um dos líderes do "Movimento Brasil Livre" (MBL), que também organiza os protestos.
"Sua omissão em relação ao escândalo da Petrobras a coloca em uma situação de muita irresponsabilidade", acrescentou Ostermann, um gaúcho de 30 anos, em entrevista à AFP.
"É muito difícil levar uma multidão às ruas todos os meses. Não é algo pequeno e a falta de uma liderança dificulta isso ainda mais", explicou à AFP André César, analista político de Brasília.
"Entre a marcha de 15 de março – que foi interessante e potente - e esta de hoje, o governo conseguiu conter algumas hemorragias. Deve estar respirando aliviado", observou.
Treze senadores, 22 deputados, dois governadores, o tesoureiro do PT e ex-funcionários são investigados pela corrupção na Petrobras que movimentou 4 bilhões de dólares na última década.
Dilma enfrenta também dificuldades nos campos político e econômico, com uma economia quase estancada e uma inflação que atingiu 8,13%.
