Feito retirantes, moradores do Curió e do Conjunto São Miguel eram vistos nas calçadas com mochilas nas costas e carregando sacolas com roupas. Na tarde de ontem, estavam de saída ou comentando o que viveram na noite anterior — que deixou marcas de tiros e arrombamento nos portões, e, no chão, sangue e luvas descartáveis.
Assustado, um morador comentou que dormiria na casa de um parente. A noite anterior foi “a pior” da vida: a família permaneceu trancada dentro de casa. “Eram todos encapuzados, uns com coletes e outros sem, todos armados. Ninguém sabe se é policial ou vagabundo. O rapaz que morreu aqui na rua é o Elenildo. Trabalhador, era empacotador em empresa de panificação”, lembrou.
O relato de uma menina de sete anos mostrava o medo de quem pregou o olho só às 5 horas. “Foi muito aterrorizante. Só escutava as balas e os homens batendo nas casas. Bateram na nossa porta e mandaram fechar as luzes. Durmo de luz acesa, não gosto do escuro. Hoje vamos todos dormir fora, até o cachorro”, lamentou a menina.
Comércios e escolas
Uma mulher disse que os restaurantes estavam encerrando as atividades às 18 horas com medo de novos tiroteios. A Escola de Ensino Fundamental Professora Telina Barbosa da Costa e a Escola de Ensino Médio Professora Tecla Ferreira liberaram os alunos mais cedo. No Liceu de Messejana, as aulas de ontem foram canceladas.
Vítima
Uma conhecida do adolescente Antônio Alisson Inácio Cardoso, 16, morto na chacina, relatou que o rapaz era pai de criança de três meses e trabalhava com táxi não cadastrado. Ele conversava com amigos quando homens chegaram atirando. A fonte relata que uma das pessoas que conversava com Alisson era uma garota, que correu e, por pouco, não foi baleada. “Eles (homens encapuzados) mandaram todos se ajoelharem e começaram a atirar”, relatou.
Fonte: O Povo
