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O perito particular contratado para a defesa de Cristiane Coelho,
acusada de matar o filho com sorvete envenenado e tentar matar o
ex-marido, contesta os laudos oficiais da Polícia Civil utilizados como
evidências para pedir a prisão dela. Para o perito Ravier Feitosa,
durante o período de 49 dias entre a data do crime e a da segunda
perícia, pode ter havido contaminação das provas.
"O computador que foi recolhido pelo delegado foi para a perícia depois
de 50 dias. O que foi feito nele depois desses 50 dias? Só Deus sabe.
Outra coisa: foram recolher material lá na casa depois de 49 dias de
ocorrer o fato", alega o perito.
Os peritos da Polícia descartam a possibilidade de manipulação ou
contaminação de evidências e afirma que o período foi necessário para
ouvir as testemunhas e realizar uma coleta de material na casa onde
ocorreu o crime. Os peritos prestaram depoimento nesta quarta-feira
(22), no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza.
Com os depoimentos desta quarta, todas as testemunhas foram ouvidas.
Defesa e acusação terão um prazo de cinco dias para as considerações
finais. Após esse prazo, o juiz decide se Cristiane Coelho vai ou não a
júri popular.
O crime aconteceu em novembro de 2014, no Bairro Dias Macedo, em Fortaleza.
Cristiane Coelho acusou o marido, o subtenente do exército Francileudo
Bezerra, de tentar envenená-la com remédios e de envenenar o próprio
filho, de 9 anos. Na ocasião, Cristiane disse ainda à polícia que o
subtenente teria tentado se matar em seguida.
O subtenente passou semanas em coma no Hospital Militar. O laudo do
Insitituo Médico Legal trouxe uma reviravolta no caso: Francileudo
Bezerra e o filho tinham sido envenenados com chumbinho, um veneno para
matar ratos.
Quando o subtenente acordou do coma, ele negou o crime. Durante as
investigações, a polícia descobriu que Cristiane pesquisou na internet
sobre como envenenar uma pessoa com chumbinho. Desde então, ela passou a
ser considerada a principal suspeita.
Em abril deste ano, o laudo da polícia foi concluído e apontou
Cristiane como responsável pela morte do filho mais velho, que era
autista. Depois disso, Francileudo conseguiu a guarda do filho mais novo
do casal, de 5 anos, que até então estava no Recife, com a mãe.
Em maio, Cristiane teve a prisão decretada pela polícia e chegou a ser
considerada foragida. Dias depois ela se entregou e, atualmente, está no
presídio feminino Auri Moura Costa, em Itaitinga.
Depoimentos
O depoimento de Cristiane Coelho foi adiado devido à ausência da única testemunha de defesa. A acusada só iria se pronunciar após o depoimento da testemunha, um perito contratado pela defesa, que não esteve presente no Fórum Clóvis Beviláquea. A audiência foi remarcada para 22 de julho, às 13h. De acordo com o advogado da acusada, Paulo Quezado, o perito particular contesta o laudo pericial apresentado pela Polícia Civil.
Fonte: G1