sábado, 13 de maio de 2017

Chikungunya: epidemia vai se agravar até junho

O quadro de epidemia de chikungunya no Ceará pode ser pior do que os números divulgados pelo Governo. Segundo o pesquisador em arboviroses e médico infectologista, Igor Castelo Branco, o número de notificações e casos confirmados oficialmente devem ser multiplicados por, pelo menos, 20 vezes para se ter um dado mais realista. Neste ano, ainda no primeiro semestre, os números configuraram um cenário de epidemia e que tende a piorar até junho, com o nascimento de mais mosquitos Aedes aegypti”, explica.

No último boletim divulgado pela Secretaria de Saúde (Sesa) foram notificados 41.723 casos no Ceará neste ano, com 13.312 casos confirmados, entre eles, cinco mortes. 
“Os números oficiais vão de acordo apenas com os casos registrados em hospitais e postos de saúde. Porém, sabemos que a grande maioria dos infectados não vai ao médico para ter o devido parecer clínico. Isso acontece, principalmente, porque a chikungunya é uma doença auto-limitada, ou seja, o paciente fica com dificuldade de locomoção”, destaca o infectologista. 
O médico ressalta, ainda, que, além do alto índice de casos, o número de óbitos também liga um sinal de alerta no combate à epidemia. “Há registros de casos de chikungunya desde 2015, mas em 2016 já foi possível perceber um aumento exponencial do arbovirus.
Sintomas
O médico infectologista destaca também, que é difícil dar um diagnóstico de chikungunya somente pelo prognóstico clínico. A dengue e zika, além da chikungunya, tem como sintomas a vermelhidão no corpo e nos olhos, dores nas juntas e dor de cabeça. De acordo com ele, nem sempre é possível fazer um diagnóstico preciso na primeira semana. 
“Nos dias seguintes fica mais claro identificar qual vírus o paciente contraiu. Por exemplo, um paciente com febre, dor no corpo e vermelhidão e dores articulares, é grande a chance de ele estar com chikungunya. Se na semana seguinte esse quadro não aparece, e a febre fica mais latente, a probabilidade é que seja uma dengue. Caso a coceira e as manchas na pele se sobressaiam, a tendência é que o paciente esteja com zika. Tudo isso é muito flexível, vai depender da análise clínica e laboratorial”.
Tratamento
Hidratação, medicamentos específicos e repouso formam a base do tratamento. “É essencial que o paciente beba bastante líquido durante a fase de tratamento e que ele vá a um posto de saúde mais próximo. Ele também pode usar medicamentos como paracetamol e dipirona, só não pode usar remédios não hormonais, na primeira semana, como aspirina e corticóide”, finaliza.
Fonte: Diário do Nordeste